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O modo de produção

camponês revisitado
Jan Douwe Van der Ploeg
A renovada atenção em torno da agricultura familiar no Brasil, como expressa a organização do “1o Colóquio Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural” (Porto Alegre, 24 e 25 de novembro de 2005), reflete importantes mudanças na agricultura brasileira;1 reflete, igualmente, o fortalecimento e a maturidade dos “estudos rurais” praticados no Brasil.

A combinação de uma base teórica sólida, um enfoque empírico amplo e metodologicamente bem estruturado2 e, por fim, mas não menos importante, um forte envolvimento em processos de transformação em curso contribuem para escapar de amarras ideológicas. Assim, questões aparentemente “fora de moda”, que chegaram a ser freqüentemente declaradas por alguns como “resolvidas e acabadas”, são agora colocadas de forma aberta e original – e se converteram em novos e inspiradores desafios teóricos que se articulam, no plano prático, com novas e importantes trajetórias de desenvolvimento. Esse novo interesse pela agricultura familiar coincide com os debates contemporâneos na Europa, nos quais as noções de campesinato e agricultura camponesa estão reemergindo como elementos-chave para a compreensão de diversos processos complicados e mutuamente contraditórios de transição que vêm ocorrendo no meio rural europeu
Esta contribuição baseia-se em três premissas inter-relacionadas. Primeira: a agricultura familiar abrange duas constelações contrastantes: a forma camponesa e a forma empresarial de se fazer a agricultura. Tal distinção torna-se importante, ademais, para compreender os otivos que levam cada vez mais a produção empresarial na Europa a um fim,4 ao mesmo tempo em que a agricultura camponesa tem representado, dada sua peculiar resistência, uma promessa de continuidade. Segunda: a essência e as principais diferenças entre esses dois contrastantes modos de produção não residem tanto nas relações de propriedade; elas situam-se principalmente nas (diferentes) formas através das quais a rodução, a distribuição e a apropriação de valor são ordenadas. Terceira: ao se definir a especificidade do modo de produção camponês em termos de produção de valor, esta pode ser articulada, de forma rutífera,5 com o debate sobre desenvolvimento. Esse artigo focaliza, ainda que não exclusivamente, a Europa.



Argumenta-se aqui, basicamente, que a agricultura camponesa está amplamente difundida em toda a Europa – e que, ademais, vem sendo fortalecida, recentemente, por novas respostas, o que pode ser sumarizado através do conceito de recampesinização. A conseqüência isso, que também vale para os países de Terceiro Mundo, é bastante clara: de forma alguma a agricultura camponesa pode ser vista como intrinsecamente atrasada. A agricultura camponesa não é um obstáculo para o desenvolvimento e a mudança, mas, ao contrário, pode ser um excelene a Política Agrícola Comum (PAC) que dele resultou – tornou-se o principal veículo de modernização, o que, por sua vez, recebeu freqüente suporte de uma intervenção estatal de longo alcance na agricultura por parte de cada Estado-membro.



Nos países asiáticos, a modernização tomou principalmente a forma da bem conhecida “revolução verde”, com a introdução de novas sementes e seu respectivo “pacote” de fertilizantes, herbicidas, pesticidas, crédito, obras de infra-estrutura, serviços de extensão e treinamento, além da intervenção nos mercados. No que se refere à América Latina, o programa de reforma agrária massiva no Peru (no período 1969-1975) promoveu tipicamente a modernização; no México, tentou-se primeiramente implementar uma revolução verde do tipo asiático (justamente como ocorreu na Colômbia com o Programa DRI) e, osteriormente, o meio rural passou a ser literalmente modificado por um forte processo de “pecuarização” (Guerritsen, 2002), assim como ocorrera em vários outros países da América Central e do Sul.
No Brasil (Cabello Norder, 2004), foi especialmente a substituição dos cultivos de café pelos de soja que representou uma primeira expressão, ampla e massiva, da modernização – e que estabeleceu as bases para diversos episódios posteriores a ela relacionados.

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Jan Douwe van der Ploeg
Professor of Transition Processes in Europe
Wageningen University
the Netherlands and Adjunct Professor of Rural Sociology
College of Humanities and Development Studies
China Agricultural University, Beijing, China.
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